É só quando anoitece que a escuridão um espaço seguro e corajoso me oferece.
À noite, vigio a cidade e alimento-me da sua energia nocturna sem revelar a minha identidade.
Só a luz do luar me revela, pelo que salto de canto em canto escuro, sempre fugindo dela.
E se me vêem é por um instante somente, nunca tendo a certeza se fora apenas uma ilusão da mente.
Não sou super-herói, ou observador, ou cronista. A minha coragem só nasce quando não estou sob vista.
A apaziguadora constância da noite perdura até que amanhece, e só nela é que a incerteza da vida perece.
A maior parte vê na multidão diurna o auge social, enquanto eu rodeado dessas pessoas sinto um terror abismal.
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