[Verse 1]
All that I am,
all that I love,
brought my life
to a small, narrow cove.
[Verse 2]
Protects who I am,
protects all I love,
keeps me stranded,
this small, narrow cove.
[Pre-chorus]
Yearning beyond.
Yearning beyond.
Yearning beyond
is what keeps me going on.
[Chorus]
Holding on to my soul.
Holding on to who I am.
Holding on to myself.
Never let go.
[Verse 3]
Release control,
freedom in a trove,
I lost myself
to this small, narrow cove.
[Pre-chorus]
[Chorus]
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[Verse 1]
You showed me a different side to this life.
You showed me how to be alive.
[Chorus]
You made me feel
Feel alive
Feel
Feel like everything I do is real.
[Verse 2]
You taught me that I can achieve.
You taught me to believe.
[Chorus]
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A hipótese de que a realidade é um sonho advém quando a realidade não
satisfaz. Mas o que realmente se passa é o próprio que nela se sente
incapaz.
Se a realidade é real ou simulação é uma questão trivial. Não porque a
resposta é sabida, mas sim porque esta questão não pode ser
respondida.
Questões triviais não merecem o incómodo. Trazem transtornações
desnecessárias, que perturbam a sanidade do todo.
Dito de outra maneira: se a realidade actual é uma que eu hostilizo,
que razão há para acreditar que a realidade que lhe deu vida será o
Paraíso?
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Sinto as tuas mãos suaves nos meus ombros. Para os meus braços
deslizam, os cotovelos em brincadeira beliscam, até que os pulsos
apertam.
Sinto o teu desejo nas minhas mãos. Ele aperta com força nelas,
rouba-me o controlo, e puxa-me na tua direção.
Sinto o teu peito a acariciar o meu. Olhas-me de alto a baixo porque
precisas de ver que a tua aura sedutora me faz todo teu.
Sinto-me arrastado pelo sentimento. Abandono a razão, e deixo-me ir,
para saber onde me vai levar este momento.
Sinto a tua feição invadir o meu espaço. Não consigo olhar nos teus
olhos penetrantes. Olho para a parede de embaraço.
Sinto as tuas mãos a despentearem-me os cabelos, e o carinho delas no
meu rosto. Quero-as como almofada, mas tu pões-me de volta no meu
posto.
Sinto que exiges obediência, que só no momento de maior desespero, que
só quando me sinto ofegante irás ceder, e conceder-me audiência.
Sinto-me finalmente um servente total da tua divindade. Sei que é
neste momento que vem o beijo que por tanto ansiava. O beijo da
felicidade.
Mas de repente, lembro-me que isto é um sonho. Um pedaço da minha
imaginação. Gostava de alguém que me amasse, me beijasse, me fizesse
sentir vivo assim. Gostava muito. Mas infelizmente não tenho, não.
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Ó Luz, encontra-me! Iluminas aqui e acolá, e só a mim deixas na
escuridão? Que mal te fiz para me deixares sem sentido, sem rumo, sem
razão?
É isso que é estar vivo, eu encontrar a minha própria Luz? É a isso
que achas que "Liberdade" se reduz?
Ó Luz explica-me lá então, como posso ser eu livre quando eu sou
também prisioneiro da tua decisão?
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Quando me for, deixarei os meus escritos, com tudo aquilo que gostava
de ter dito, com tudo aquilo que era importante para mim, correndo o
risco de que quanto mais neste mundo estiver enraizado, mais difícil
será para os que ficam para trás quando eu estiver do outro lado.
Quando me for, haverá os que viram, os que ouviram, e os que sabem; os
que disseram, que ajudaram, e que fazem. Haverá toda e mais alguma
gente que antes de me ir não constavam, e logo no momento seguinte aos
molhos como erva daninha brotam.
Por isso, nos escritos aparecem os que estavam na altura e mais não. E
quem diz que lá estava e não aparece escrito, ou é mentiroso, ou é
ladrão.
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Em desespero constante, cada dia é ofegante,
equilibrado num pé desequilibradamente
mais o malabarismo da vida simultaneamente.
Em demasia, mais já não aguento.
Ainda assim, um dia de cada vez, sobrevivo,
parecendo até que estou vivo,
em vez de marioneta:
uma constância do que advém,
uma manifestação prisioneira num corpo mas de quem?
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Dobrada, a folha de papel esconde os seus segredos no interior,
ficando duas belas e claras páginas de tamanho menor.
E é verdade que desdobrada a folha-se novamente maior, com todos os
seus segredos para contar, mas fica também um vínculo no meio da folha
que não dá mais para apagar.
Por isso, é que te digo, Ó minha querida: tira o nariz das minhas
coisas e mete-te na tua vida.
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Atinge-me, bate-me, ralha comigo.
Satisfaz o teu prazer em pôr-me de castigo.
E quando estiver magoado, triste, e zangado
proíbe-me de ter um amigo
com quem partilhar, desanuviar, sarar,
porque isolado e em confinamento
tornam-se assim tão mais fortes
a dor e o sofrimento.
Magoa-me, fera-me, agride-me
até a última faísca da minha alma se extinguir
e aí ficarás a sós, contigo própria,
e com a tua violência a te destruir.
Porque quando ascender da Terra para a Lua,
eu não a levarei comigo:
essa violência nunca fora minha,
ou por mim, mas sim tua.
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Há uma tempestade à espreita. Se ela vem, tudo arrasa. E se não vem, a
premonição nunca acaba.
É um prenúncio de um fado destinado àquele que a tempestade pressente.
É um castigo por se ser consciente, e ser-se conscientemente
negligente.
O destino é a decisão que se espera tomar, e não a espera pela decisão
que se torna a adiar.
É dando rumo ao destino que a vida toma sentido.
Não é por acaso que são anagramas: são um e a mesma coisa.
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