ALMA

ALMA é arte - ALMA is art

Desespero

September 09, 2025

Em desespero constante, cada dia é ofegante,
equilibrado num pé desequilibradamente
mais o malabarismo da vida simultaneamente.

Em demasia, mais já não aguento.
Ainda assim, um dia de cada vez, sobrevivo,
parecendo até que estou vivo,

em vez de marioneta:
uma constância do que advém,
uma manifestação prisioneira num corpo mas de quem?

Tags: laranja, poesia

Violência

September 09, 2025

Atinge-me, bate-me, ralha comigo.
Satisfaz o teu prazer em pôr-me de castigo.
E quando estiver magoado, triste, e zangado
proíbe-me de ter um amigo

com quem partilhar, desanuviar, sarar,
porque isolado e em confinamento
tornam-se assim tão mais fortes
a dor e o sofrimento.

Magoa-me, fera-me, agride-me
até a última faísca da minha alma se extinguir
e aí ficarás a sós, contigo própria,
e com a tua violência a te destruir.

Porque quando ascender da Terra para a Lua,
eu não a levarei comigo:
essa violência nunca fora minha,
ou por mim, mas sim tua.

Tags: laranja, poesia

Findar o fim

September 05, 2025

Eu não estou aqui a fazer nada.
Há quem tenha um propósito.
Há quem tenha vontade.
Há quem tenha ambição.
Eu tenho apenas responsabilidade.

E quando essa responsabilidade se for?
Sem propósito, sem vontade ou ambição,
haverá algo mais em redor?
Alguma razão de força maior?

O único em quem me espelhava,
aquele que me norteava,
aquele que eu adorava, idolatrava,
já cá não está.

A sua memória permanece viva dentro de mim
e em objectos de afecto que colecciono sem fim:
um propósito psicológico, um impulso, uma ostentação
sem sentido ou razão.

Mas finda a memória, finda a tristeza, finda a razão,
que justificação haverá ainda por dar
para que o sofrimento da vida
não se possa também findar?

Tags: gratidão, poesia

Da minha alma uma centelha,
na fornalha divina vermelha,
consagrou a forjagem da deles.
Em diante, o amor por eles
deu à luz um novo sofrimento
eterno, ofegante, atento;
destruiu a primordial calma
que inteirara a minha alma.

Tags: alma, poesia

Não há como aguentar este todo.
Um pequeno alívio aparece como
um suspiro nos momentos de alegria.
Mas logo volta este peso aos ombros
que faz sentir que tudo na vida está em demasia.

Quando a alma deles foi consagrada
e uma centelha da minha tirada
para atear a fornalha divina,
nasceu o amor que tenho por eles e o medo,
também por eles, que o meu coração domina.

Tags: alma, poesia

Quando olho lá para fora

April 26, 2025

Quando olho lá para fora
vejo tudo o que não tenho,
vejo tudo o que não sou.

Quero ir encontrar esse todo
lá fora onde estão os sonhos
mas a alma já desabou.

Tags: alma, poesia

O templo no topo do monte

April 24, 2025

O templo no topo do monte,
já abandonado e meio arruinado,
esconde um grande mistério sobre a sua origem,
ainda não desvendado.

Os que escalam ao monte, derrotam as suas encostas,
e superam as suas armadilhas vastas,
são tantos outros como eu que chegaram ao templo
com mais perguntas do que respostas.

Querem saber os porquês
de tudo o que no templo aconteceu,
esquecendo-se da sua própria jornada
que os trouxe mais perto do céu.

Porque o verdadeiro desafio do templo
não é desvendar o seu mistério.
O grande segredo da vida é fazer as perguntas certas.
Só quando se começa a perguntar, é que se começa a viver a sério.

Tags: poesia

No monte, lá no topo

April 23, 2025

No monte, lá no topo,
onde está a minha imaginação
é onde encontro paz e serenidade
na companhia da solidão.

Não há outra alternativa que se compare,
não há outro desejo que mereça consideração.
Melhor não há não, do que estar a sós
na companhia da minha solidão.

Familiares e amigos vêm e vão.
Estranhos em grande maioria esquecidos são.
Mas lá no topo do monte, sempre confiável e nunca em falta,
é a constância da solidão.

Há quem dela medo tenha
por estar só ser uma consternação.
Sorte deles por encontrarem paz e serenidade
sem recorrerem à solidão.

Há quem ache que ir só ao monte é a Salvação.
Estais convidados a experimentar a minha meditação
mas encontrai vosso monte porque no meu
não há lugar para a multidão.

Tags: alma, poesia

O ruído é extenuante para os meus sentidos.
A minha atenção dispara em todas as direcções
e o meu cérebro retrai-se,
como se fora agredido.

Perante o cansaço, desfazem-se a esperança e a força de vontade.
Sinto que as paredes que me deveriam proteger,
afinal me sufocam,
me roubam a liberdade,
me confinem do mundo que me rodeia.

Saudáveis aqueles que
com estas questões não se preocupam,
cujas mentes serenas com estes problemas
não se ocupam.

Deles inveja tenho
porque ainda estou algo ciente,
embora não suficientemente como eles
para purgar esses problemas da mente.

Há uma vinda esperançosa
que se prenuncia
mas cuja hora concreta de chegada
nunca avisaria.

Tal como, o eventual comboio que me levará Salvação está cada vez mais atrasado
porque o maquinista no vagão de passageiros está sentado,
assim a vinda esperançosa quer do exterior fingir ser,
mas ela realmente nasce do interior que deste sítio quer morrer.

Enquanto esperamos pela mudança,
esperamos uma eternidade,
esperando com perseverança
porque numa invisível divindade
temos uma grande confiança
para quem renunciamos a nossa autoridade
em troca de uma herança inconcretizável
de prosperidade.

Porque afinal se calhar
quem não quer realmente sou eu!
Quero sair, mas não saio.
Quero fazer, mas não faço.
Quero largar, mas não largo.
Como um viciado que quer deixar em momentos de remorso
mas não quer deixar em momentos de vício.
É querer e não querer.

Tags: alma, poesia

De que vale?

April 22, 2025

Um novo capítulo, uma nova vida. Mas de que vale uma nova partida para repetir os mesmos erros de seguida?

De que vale uma nova fonte se todas as águas rumam para o horizonte?

De que vale qualquer mais valia se a vida é sem esperança e sem magia?

De que vale tentar mudar quando tudo o que se mudou voltou ao mesmo lugar?

De que vale continuar a querer quando tudo o que não queria acabou à mesma por acontecer?

De que vale insistir nesta pergunta repetida? Entro neste novo capítulo e já estou com o pé na saída.

Tags: alma, poesia

Sozinho no topo de uma montanha
a contemplar a vista sobre o vale
é o único sítio e o único momento
por que anseio.

Tudo o resto na vida são contratempos e imprevistos
entre os momentos que estou nesse tal lugar,
nesse único sítio que me dá paz
e me faz sonhar.

Tudo o resto são distracções, obrigações
e vacilações que me roubam as montanhas em saudade.
Mas por apenas um momento no relógio da alma,
embora uma eternidade no relógio da realidade.

Mas essa eternidade não pesa na alma, só na idade,
porque o amor ausentado do dia-a-dia
tanto dá ao tempo curto como ao longo
a mesma sinfonia.

Reina a saudade da paz interior
porque é a alegria dessa esperança que afasta a dor.
É sabido que o que determina na vida o seu sabor
é se nela há ou não há amor.

Tags: alma, poesia

Louane

February 03, 2025

O luar do antigamente. O luar antigo. A lua de antes. A lua anterior. A luta ante. A lu'ante. A lu'ane. Lu'ane. Louane.

Tags: gratidão, poesia

Silêncio

February 03, 2025

É silêncio paz? Ou é silêncio solidão? É silêncio ausência de som? Ou é meditação?

É silêcio um estado alvejável? Ou um castigo deplorável?

É silêncio ficar calado? Ou se falo pouco é porque estou chateado?

É silêncio a ausência de tudo? E então um silêncio mudo?

É silêncio           ? Ou uma pergunta em branco?

É silêncio pois físico? Espiritual? Linguístico, artístico ou social?

Só resta pois ficar em...

Tags: gratidão, poesia

Quem eu outrora fora já não existe
porque sem o medicamento que me subsiste
a saúde prometida pela Vida desiste.

E uma vez comprometida a longevidade,
sou obrigado a encarar esta realidade:
para salvaguardar à minha família a saudade

da minha prematura e fatal ausência
tenho de ceder a uma denegridora vivência
que me mancha e conspurca a consciência.

E tu, ó Vida, o que me prometeras?

Prometeras-me subsistência.
Prometeras-me longevidade.
E no final me traíste.

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Há uma crença em mim

November 07, 2024

Há uma crença em mim
que me a vida dirige.
E quando caio em erro
ela me perdoa e corrige.

Há quem "alma" lhe chame
por conferir a identidade.
Mas eu chamo-lhe "crença"
por me criar a realidade.

Se "crença" e "realidade"
afiguram-se incompatíveis
por desacordo de significado
no que diz respeito à vida,

constate-se que crença é
afinal uma sensação de certeza
guiadora pela realidade da vida,
toda ela repleta de incerteza.

Para quem nega a natureza da realidade
e que foge da incerteza
para o conforto da identidade
e no discurso do método se refugia,

é cego para a teia de ambiguidades
que se sobrepõem à Verdade,
que põe em causa a identidade
e a "crença" que sublinha a vida denuncia.

A crença nasce de uma sensação
confiante e forte no peito,
exigindo com tumultuosa vibração
uma existência de seu direito.

E embora a minha existência
pareça singular manifestação,
um binário da consciência,
se revela, com o coração.

Mas o sensível coração todavia
é fraco, e como um buraco negro
suga e substitui toda a alegria
com um triste vazio de enterro.

E a mente, embora lógica,
face à falta do sustento emocional
da sua cara-metade dialógica,
acaba colapsada numa espiral irracional.

Tão simples os alicerces da vida
e fácil ter de os explicar.
A sentença de prisão perpétua é
a dor do corpo ser obrigado a habitar.

Tags: poesia, alma

Que desperdício de vida

November 03, 2024

Que desperdício de vida a quem
por assombrada a mente viver
com a morte que advém
corrompe o restante da vida,
impelindo a morte do além.

Tags: poesia, alma

Enquanto felicidade for uma jornada
e a sua medida o êxito realizado,
nunca tal felicidade, em vida,
se tornará um alvo alcançado,

porque o segredo da vivência feliz
é a felicidade do momento,
vivendo-se sem o peso da contradição,
feliz navegando ao sabor do vento.

E o próprio sabe
só que também desconhece
porque vai enuciando as palavras certas,
mas não lhes obedece.

Oh, que porra, então?
Mas que mais é que é necessário
para programar esta simples lição
neste ignorante cérebro primário?

É que o consciente cria a lição
e simultaneamente recusa permeabilidade.
Portanto, ou há avaria na programação,
ou então é dupla-personalidade.

Será uma questão de insanidade,
ou uma adversidade da idade,
que perturba a serenidade
da minha vida e a racionalidade?

Não sei, e com toda a sinceridade
digo, sob o perdão de Vossa santidade,
que nesta condição mental de austeridade,
é uma vivencial merda esta oportunidade.

Tags: poesia

Só, contigo. Só contigo.
Quero estar só, contigo. Quero estar só contigo.
Quero que eu e tu estejamos juntos. Quero eu e tu e mais ninguém.
Quero-te comigo, e só comigo, depois de estar só, contigo, e só contigo.
Quero-te comigo sempre e só comigo apenas.
Quero-te comigo agora, depois, mais tarde, à noite, amanhã, para a semana que vem, todos os dias e para sempre.
Quero-te comigo sem a mãe, sem os meus irmãos, sem os avós, sem os tios, sem os amigos, e sem mais ninguém.
Quero-te comigo sempre e apenas, só, contigo, e só contigo.
Quero que me vejas, que me escutes, que me respondas, que me mimes, me elogies, me entretenhas, me estimules, me trates, me ajudes, me favoreças, que de mim cuides, e em mim penses.
Quero-me como complemento directo e indirecto de todas as tuas acções. Quero que me, que de mim, e que em mim, e que para mim, tu-ar, tu-er, tu-ir. Quero que me, de, em, para mim, tu-ar, -er, -ir.
Quero que me, de-em-para mim, tu -ar-er-ir, sempre e apenas, só e só contigo.

E quero que escrevas as coisas que quero numa folha de papel para não te esqueceres. Eu ainda não sei escrever e ainda não te sei pedir isto e explicar o que quero porque só tenho 5 anos. Mas desconfio que tu até já sabes melhor do que eu, o que eu quero e preciso. Só me resta dizer, obrigado pai! E tu tens que dizer "de nada".

Assinado "pai" (alónimo) porque o autor ainda não tem idade para assinar.

Tags: poesia, alma, pai

Há que escreva por uma questão de subsistência.
Mas eu sobrevivência.

Quem escreva muito, com ganância, por remuneração.
Eu sucinto, sem competição.

Quem com pudor, desdém, inveja, e desprezo.
Eu com clareza.

Quem subserviente de uma ilustre carreira.
Eu à minha maneira.

Quem ponha p'ra baixo com grande alarido.
Eu sempre descomprometido.

Que destrua e derrote porque é intolerável perder.
Eu sempre vencedor porque nunca preciso de vencer.

Tags: poesia, alma

Por que é que “peidar” é um verbo reflexivo?
Eu peido-me, tu peidas-te, ele peida-se;
mas se eu “te peido”
é um insulto putativo...

Tags: poesia

Quem decide se sou português
não é a morada, somos nós,
o legado colectivo dos nossos avós.

Se exigida comprovação
do vasculho da minha alma
uma morada portuguesa encontrarão.

Tags: poesia

Recordações do passado

March 10, 2022

São recordações de um passado distante,
Uma contínua perturbação permanente
Que provoca um desconforto constante,
Porque a verdadeira identidade está ausente.

O Passado e Presente estão em conflicto,
A droga de escrever domina a vida,
Saciaria o vício com mais um escrito
Mas a vocação fora há muito esquecida.

Por causa da sua inconstestável rejeição,
O autor cinde a sua personalidade,
E esta esquizofrénica alucinação
Assume própria forma e autoridade.

Após a ressaca e de volta ao presente,
Reencontra o poema abandonado,
Rejeitando a autoria veentemente,
Embora no clímax do delírio o tivera esboçado.

Tags: poesia

Continuo à espera do momento
em que desvendo quem realmente sou
para entender o propósito da vida.
Porque sem propósito quem sou não sei
e este ciclo saída não tem.

Mas desconfio que este problema
não tem uma solução.
Pois uma vez respondida a questão
do propósito da vida
levanta-se pois um novo dilema:
qual o novo propósito da vida
tendo a anterior questão
já sido respondida?

Responder à questão ou não é indiferente.
Continuo sem saber o propósito da vida.
Mas quem eu sou? Ah! Isso já descobri:
sou aquele que chegou à conclusão
que o propósito da vida é uma questão
cujo empreendimento não conduz à solução.

"O propósito da vida" desfecha-se sobre si mesmo.
É revelado quando propósito a vida deixa de ter.
É revelado quando a vida deixa de ser.
Mas quando o propósito e a vida se vão
nada sobra por responder nesta questão.

Tags: poesia

Traição da mente

September 22, 2019

Acorda-se abruptamente p'ra traição da mente,
a intriga entre a mentira e a verdade.
a insana e perpétua arguição não decide
se a memória em questão é realidade.

Tags: poesia

Os ricos regozijam como deuses hedonistas.
Nada lhes falta porque tudo têm.
Pagam com reluctância ao povo
O cimento dos pilares que os sustêm.

A mitologia do Homem é simples:

A pretensão advém do estatuto económico.
Quão maior a posse, maior a divindade.
O plebe acredita na ascensão
por isso trabalha uma eternidade.

A mitologia do Homem é simples:

A pretensão é um reflexo do estatuto económico.
Quão maior a posse, maior o suíno.
O plebe sacrifica uma vida de trabalho,
para atingir esse plano divino.

Porque diariamente alimentam a sua crença,
com mordomias de Segundo Estado,
levadas à boca só para provar,
deixam o povo constantemente esfomeado.

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Dai-me a força e inspiração

September 03, 2018

Dai-me a força e inspiração
necessárias para escrever
poesia que chegu'ao coração
para que todos a desejem ler.

Ó meu excelentíssimo Camões!
Pós vosso canto, dormi em amor!
Mas tendo escrito belas paixões,
conceder-me-eis o mesmo fervor?

Fernando Pessoa, meu vizinho!
Esquizofrenia? Um dilema...
Mas pousardes o copo de vinho
e ajudais-me com o poema?

Errais dial cidade vaidosa,
depois de um campo purgativo.
Partilhai comigo, Cesário,
o vosso poder contemplativo.

Após três mestres certamente vem
sem dúvida um deslumbramento
de poema. Após uns anos, cem,
talvez, pois aqui falta talento.

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Exigências incumpríveis

September 03, 2018

Exigências incumpríveis.
Expectativas impossíveis.
É o pânico, é o terror.
Não sobreviverei o momento!

Educação assume responsabilidade.
Experiência confronta realidade.
Instinto assume controlo.
Sou marioneta da minha execução!

Obstáculo ultrapassado novamente.
Prazer viciante saciado momentaneamente.
Insegurança impede aprendizagem.
De novo o ciclo repete-se...

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Orai vós, ignorantes esperançosos!
Da morte que vos advém julgai-vos seguros?
Enquanto prisioneiros do medo fordes
Não sereis mais do que mortos prematuros.

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Tiraram-me os prazeres

September 03, 2018

Tiraram-me os prazeres,
tiraram-me as capacidades,
tiraram-me a saúde,
mas deixaram-me as saudades

de um tempo glorioso
repleto de vontade e calma;
são agora memórias
que tentam remediar a alma.

Mas antes a ceifa fatal
do que viver desejando assim
um Passado impossível,
cativo de um Presente sem fim.

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