O ruído é extenuante para os meus sentidos.
A minha atenção dispara em todas as direcções
e o meu cérebro retrai-se,
como se fora agredido.
Perante o cansaço, desfazem-se a esperança e a força de vontade.
Sinto que as paredes que me deveriam proteger,
afinal me sufocam,
me roubam a liberdade,
me confinem do mundo que me rodeia.
Saudáveis aqueles que
com estas questões não se preocupam,
cujas mentes serenas com estes problemas
não se ocupam.
Deles inveja tenho
porque ainda estou algo ciente,
embora não suficientemente como eles
para purgar esses problemas da mente.
Há uma vinda esperançosa
que se prenuncia
mas cuja hora concreta de chegada
nunca avisaria.
Tal como, o eventual comboio que me levará Salvação está cada vez mais atrasado
porque o maquinista no vagão de passageiros está sentado,
assim a vinda esperançosa quer do exterior fingir ser,
mas ela realmente nasce do interior que deste sítio quer morrer.
Enquanto esperamos pela mudança,
esperamos uma eternidade,
esperando com perseverança
porque numa invisível divindade
temos uma grande confiança
para quem renunciamos a nossa autoridade
em troca de uma herança inconcretizável
de prosperidade.
Porque afinal se calhar
quem não quer realmente sou eu!
Quero sair, mas não saio.
Quero fazer, mas não faço.
Quero largar, mas não largo.
Como um viciado que quer deixar em momentos de remorso
mas não quer deixar em momentos de vício.
É querer e não querer.