Eu não estou aqui a fazer nada.
Há quem tenha um propósito.
Há quem tenha vontade.
Há quem tenha ambição.
Eu tenho apenas responsabilidade.
E quando essa responsabilidade se for?
Sem propósito, sem vontade ou ambição,
haverá algo mais em redor?
Alguma razão de força maior?
O único em quem me espelhava,
aquele que me norteava,
aquele que eu adorava, idolatrava,
já cá não está.
A sua memória permanece viva dentro de mim
e em objectos de afecto que colecciono sem fim:
um propósito psicológico, um impulso, uma ostentação
sem sentido ou razão.
Mas finda a memória, finda a tristeza, finda a razão,
que justificação haverá ainda por dar
para que o sofrimento da vida
não se possa também findar?