Sinto as tuas mãos suaves nos meus ombros. Para os meus braços deslizam, os cotovelos em brincadeira beliscam, até que os pulsos apertam.
Sinto o teu desejo nas minhas mãos. Ele aperta com força nelas, rouba-me o controlo, e puxa-me na tua direção.
Sinto o teu peito a acariciar o meu. Olhas-me de alto a baixo porque precisas de ver que a tua aura sedutora me faz todo teu.
Sinto-me arrastado pelo sentimento. Abandono a razão, e deixo-me ir, para saber onde me vai levar este momento.
Sinto a tua feição invadir o meu espaço. Não consigo olhar nos teus olhos penetrantes. Olho para a parede de embaraço.
Sinto as tuas mãos a despentearem-me os cabelos, e o carinho delas no meu rosto. Quero-as como almofada, mas tu pões-me de volta no meu posto.
Sinto que exiges obediência, que só no momento de maior desespero, que só quando me sinto ofegante irás ceder, e conceder-me audiência.
Sinto-me finalmente um servente total da tua divindade. Sei que é neste momento que vem o beijo que por tanto ansiava. O beijo da felicidade.
Mas de repente, lembro-me que isto é um sonho. Um pedaço da minha imaginação. Gostava de alguém que me amasse, me beijasse, me fizesse sentir vivo assim. Gostava muito. Mas infelizmente não tenho, não.
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