Quem eu outrora fora já não existe
porque sem o medicamento que me subsiste
a saúde prometida pela Vida desiste.
E uma vez comprometida a longevidade,
sou obrigado a encarar esta realidade:
para salvaguardar à minha família a saudade
da minha prematura e fatal ausência
tenho de ceder a uma denegridora vivência
que me mancha e conspurca a consciência.
E tu, ó Vida, o que me prometeras?
Prometeras-me subsistência.
Prometeras-me longevidade.
E no final me traíste.