Esta enormidade tecnológica é tal avançada que nenhum de nós, ninguém do nosso povo, a sabe explicar. É tal avançada como se de o futuro tivesse vindo. Mas ao mesmo tempo, ela foi encontrada em escavações arqueológicas, no tempo dos nossos antepassados.
Lá dentro há arquivos e registos históricos da sua trajectória e da sua despenhagem. São pistas para o nosso passado, para a nossa origem, para percebemos de onde viemos.
Mas como pode ser esta descoberta simultaneamente uma tecnologia do futuro e um artefacto do passado?
Haverá um ciclo no tempo, que une o futuro ao passado? Ou seremos nós o povo terreno enquanto eles o povo do espaço? Ou terá o nosso povo sofrido uma involução?
Os nossos antepassados deixaram as naves, deixaram a tecnologia, deixaram a conquista do Espaço.
Pararam com os ensinamentos em engenharia, em física, em propulsão.
Voltaram a uma vivência simples, a uma vivência tribal, a uma vivência funcional.
Gerações sucessivas esqueceram a sua trajectória Espacial, o seu sistema solar de origem, a sua terra natal.
Mas a magia, ela é real. Não viera da estratosfera. Parte deste mundo sempre fizera, e para o nosso povo é uma tradição cultural.
Do vasculho da memória do meu povo procuro perceber quem sou. Perdida no passado está a tal avançada tecnologia, suplantada por uma vivência simples acompanhada de magia.
A minha curiosidade arqueológica faz-me crer numa involução. Mas ao mesmo tempo, a felicidade de uma vivência mágica faz-me crer ainda mais que a tecnologia não é senão um passo intermédio na Evolução.
Onde a Verdade verdadeiramente se situa ninguém sabe, mas há-de estar entre duas crenças, uma arqueológica e uma de felicidade.
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