Atinge-me, bate-me, ralha comigo.
Satisfaz o teu prazer em pôr-me de castigo.
E quando estiver magoado, triste, e zangado
proíbe-me de ter um amigo
com quem partilhar, desanuviar, sarar,
porque isolado e em confinamento
tornam-se assim tão mais fortes
a dor e o sofrimento.
Magoa-me, fera-me, agride-me
até a última faísca da minha alma se extinguir
e aí ficarás a sós, contigo própria,
e com a tua violência a te destruir.
Porque quando ascender da Terra para a Lua,
eu não a levarei comigo:
essa violência nunca fora minha,
ou por mim, mas sim tua.