As noites no Padrão eram calmas. No meio do campo, na escuridão da noite, a única luz radiante era a das estrelas. E no silêncio, o único ruído era o da própria respiração.
Era uma ausência total de vida em rodeio e o céu estrelado o único sinal de vida, que me convidava a olhar incessantemente para a sua radiância, a contemplar a sua expansividade, a desejar trocar a solidão que me regia pela companhia estelar dos astros.
Se ao menos pudesse partilhar este momento com alguém...
Este sentimento, eu muitas vezes o desejara, desejava, desejei...
No final, a realidade para a qual me voltei é uma em que estou rodeado de uma família que não deixa o enraizar da solidão.
Mas apesar disso, eu sinto-me profundamente sozinho.
E, portanto, ao realizar o meu desejo dos dias do Padrão, troquei a solidão pela companhia da família, mas esse desejo não trouxe o prometido: foi simultaneamente realizado e não realizado porque me sinto da mesma forma, abandonado.