Era uma resolução minha absoluta na altura ser o mais dedicado que se pode ser. Há uma responsabilidade para com o Bem que é carregada nos ombros diariamente, que pesa, e que tem como missão entregar à sociedade aquilo que é o cidadão mais dedicado, o indivíduo melhor, que através do exemplo poderá conduzir sociedade para um Estado de maior igualdade e bondade.
Mas na altura, na minha inocência e ignorância, desconhecia, que o mundo não ser melhor não é por falta de exemplos, mas porque a ganância do individualismo é que rege o dia-a-dia.
Nasce assim um desequilíbrio porque os que querem o Bem de todos não conseguem através do argumento moral convencer os individualistas a aceitar um justo mercado económico social se esse ousa taxar os interesses individualistas sobre o capital.
Se assumirmos que toda a gente defende acima de tudo a sua riqueza individual, então todos os argumentos a favor do Bem social facilmente levam à desconfiança e facilmente se vêem como mentiras, até porque na sua maior parte mentir não é ilegal.
E com mentira metida na equação não é difícil conceber o capitalismo puro, a ideia de que o mercado não se preocupa com a mentira porque há competição.
Ou assim aparenta ser na brochura. Mas a realidade do capitalismo puro é bem mais dura porque o poder aliado à riqueza leva à desigualdade, e a oligarquia que a controla domina o mercado que serve a sociedade.
Portanto aquilo que começou por ser a expulsão da mentira retórica, como uma jornada, acabou tão ou maior mentira depois de implementada.
E é por isso que a única maneira de defender o Bem moral é através do mercado regulado do Estado económico social, codificado na Constituição que serve a todos equitativamente, e através de um Estado de direito que justamente se impõe como legal.
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