A vida é uma onda. São altos e baixos periódicos. São picos de energia que nos sustentam na travessia do dia, que nos apoiam com momentos de alegria. Que se opõem à prevalência da tristeza, à dormência deprimida que desgoverna a grande parte da vida.
Sorte dos que com um equalizador na alma nasceram, pois no meu caso os picos são sempre eufóricos porque não há alegria, e o que resta passada a euforia são longos cursos melancólicos de alta voltagem distorcidos pelo amplificador da dor.
Altímetros e voltímetros acusariam imediatamente qualquer problema derivado da corrente. Mas tendo em conta que toda a terapia fora psicológica e introspectiva, não há qualquer diagnóstico que se aguente.
Porque há problemas e problemas. Há os que se medem e os que se conversam. Mas se damos voltas a isto, o paciente entra e sai visto, e o problema não medido é aquele que dá com o paciente jazido.
Bom, pelo menos dá sempre mais para conversar.
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