Há uma mentira que da sua verdade cara-metade é inseparável, e daí a memória da realidade que as criou ser indecifrável.
Para escapar do memorial nevoeiro, se a mentira é habilidosa ou a verdade duvidosa, é uma aposta, não tão diferente de rezar ao santo padroeiro e querer receber uma resposta.
Desta amnésia nasce inevitavelmente uma questão irresoluta, da qual não dá para forçar uma resposta para o passado esquecido de forma absoluta.
Mas não há qualquer tipo de ansiedade quando a memória está perdida. Nós repetimos vezes e vezes sem conta, dia após dia, "Não me lembro" e de novo segue a vida.
Por isso é que eu estou para aqui falando com os botões meus, questionando-me por que é que quando nos esquecemos da nossa origem, nós precisamos de invocar Deus?
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