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Mortalidade

December 04, 2024

Mortalidade - é simultaneamente a maior certeza e incerteza da Vida. Todos lhe estão sujeitos mas ninguém sabe quando.

Morrer é assustador. Estar morto é libertador. A ideia de que morrer é doloroso é a fonte do medo. Mas a morte é pacífica porque nem o medo ou a dor lhe sobrevivem.

A morte é a única eventualidade da vida que é, e sempre será, individual. Não é transferível para outra pessoa. Não se pode falar sobre a sua experiência ou memória.

É a única experiência da vida que só pode ser vivida comunitariamente, empaticamente. Ela só pode ser vivida pelos outros que estão vivos. Mas mesmo esses não vivem a experiência da morte. O que eles vivem é a perda que sentem. Até no momento em que alguém morre aquilo que se vive, que se sente e em que se pensa é dos outros.

A morte é o único facto da vida que é realmente tautológico, que não pode ser desprovado, não está sujeito a honestidade, a teorias, e às falhas da ciência. Todos os outros factos da vida são aproximações da realidade, são fórmulas matemáticas a que faltam factores, são leis sujeitas a ambiguidade, são pedaços de história sujeitos a interpretação. A morte não.

Até a frase "Eu penso logo existo" é uma suposição, uma convicção. Mas facto? Não!

Queremos afirmar que a Vida é um facto quando simultaneamente vivêmo-la supondo a nossa existência?

Por seu lado, a morte não se deixa questionar em termos de suposições ou convicções.

Portanto entre vida e morte qual é que é facto? É aquela que providencia uma existência questionável? Ou aquela que por retrair a existência se torna irrefutável?

Tags: gratidão, prosa