Quando tenho sono, já não sei se estou cansado ou se estou esgotado. Do cansaço descansa-se. Do esgotamento... bom, ainda não descobri como se volta de lá.
Imagino um caminho de onde estou para fora deste lugar onde não quero estar, mas é um traço inacabado, cheio de traço interropido, feito por um lápis indeciso e mal afiado.
Porque o grande problema não é decidir se quero ou não estar aqui. Isso eu já decidi. A grande questão é quando é que eu não quero estar mais aqui.
A incerteza do "quando" deixa-me esgotado. O facto do "quando" não ser agora deixa-me zangado. O tempo entre o agora e o "quando" é em parte uma sentença auto-imposta. Seria uma benção o "quando" aparecer sozinho, de surpresa. E se calhar até vem mas quando não sei.
Até o "quando" vir vou ter muito sono. O meu grande receio é que o "quando" venha, o sono de vá, mas o esgotamento permaneça.
Quando é que "quando" é tarde demais?