ALMA

ALMA é arte - ALMA is art

Amizade

April 28, 2025

Do alto da montanha, o horizonte desvenda uma solitária vastidão que me faz sentir, neste mundo, minúsculo como um grão.

Que pensará o horizonte quando me vê lá no alto? Deixa-lo-á a árdua jornada ao topo exalto?

Ou serei eu assim tão insigificante para o horizonte que mais ou menos um grão no monte não é importante?

Pessoas há mais de um bilião, então porque se há-de o horizonte incomodar se eu, ou outra alma perdida, tentar chamar à sua atenção?

Fosse toda a humanidade ao monte, isso seria de grande admiração. Até me juntaria ao horizonte para melhor louvar essa peregrinação.

Quão egoísta serei eu? Quero que o horizonte pense só em mim, quando ele já tem que correr sem fim para acompanhar o céu.

Não!

Eu vou descer desta montanha após inspirada a solitária vastidão. Sinto-me mais pequeno, sim, mas não tão sozinho assim porque por um momento o meu amigo horizonte tocou-me no coração.

Tags: amor, prosa-lírica

Cidade

April 28, 2025

Para ti voltei outra vez. Tu, ó cidade, que me outrora protegeras. Tu que outrora um lar acolhedor e seguro me deras. Tu que nunca me rejeitaras.

Mas há algo de diferente em ti. Será que tu mudaste ou fui eu que cresci?

A comida saborosa que me alimentara a barriga e as memórias tem outro sabor.

O teu harmonioso tempo e a calorosa temperatura têm agora outro calor.

As tuas praias que durante anos ansiei com euforia, sentir novamente a brisa fresca e admirar a costa, já não oferecem a mesma sabedoria.

Porque antigamente eras tu, cidade, e eu, navegador desnorteado, que na tua perdurável magnificência os meus medos via espelhados

e nesses teus alicerces inabaláveis eu sentia uma coragem que reduzia qualquer medo a uma mera miragem.

Mas agora tu e eu já não somos só nós os dois, sós de mão dada no nosso cantinho secreto a contemplar o mar e o céu.

Eu semeei a minha vida e agora já há quem olhe para mim da mesma maneira que eu outrora olhei para ti também.

E portanto voltei mas não para ficar. Os teus alicerces continuam inabaláveis e a tua silhueta no mar continuará espelhada por muitos anos que virão, mesmo depois desta minha despedida inesperada, o fim da nossa paixão.

Tags: amor, prosa-lírica

Estrelas

April 23, 2025

Vem comigo ver as estrelas ao parque. Há um candeeiro lisboeta ao lado de um banco de jardim. Quando nos sentamos juntos a ver estrelas, o tempo parece não ter fim.

Quando vejo os teus grandes olhos esqueço-me do porquê de estarmos sentados no banco de jardim, e apenas nos teus olhos consigo pensar.

Quanto sinto a tua mão na minha, um arrepio solta uma faísca, e toda a paisagem do parque e das estrelas desaparece. Apenas a luz do candeeiro sob nós como um foco de luz radiante permanece.

E quanto sinto os teus calorosos e húmidos lábios no meus, um calor pulsante no coração nasce e rapidamente se dispersa dos pés às mãos, e por breves momentos toda a realidade desvanece.

Este é o meu desejo e todos os dias quero viver esta sensação. E por isso todos os dias no parque lá me sento na esperança de que este meu desejo seja também o teu, e de que por lá apareças no parque à mesma hora que eu.

Tags: amor, prosa-lírica