A força que me propela contra a minha vontade. É a força da tentação.
Ela alicia-me com sabores prazerosos, seduz-me com a sua irrefutável lógica, e garante-me ilibação de toda a responsabilidade.
Uma vez o acto cometido, ela desaparece. O sabor prazeroso torna-se agoniante. O sistema lógico colapsa e a realidade reinstaura-se. E o remorso enraíza-se, persegue, e tormenta.
Nasce depois o vício: a perseguição entre a tentação e o remorso. A tentação leva ao acto, o acto ao remorso, e finalmente a tentação suplanta de novo o remorso. É um ciclo vicioso.
Quanto mais se nega o vício, quanto mais se tenta quebrar o ciclo, mais forte o vício se torna, mais viciados nos tornamos, e maior o remorso.
É preciso aceitar que o vício é normal, que no acto não há nada de mal.
É assim que a tentação é derrotada. Porque quando se torna banal, o vício já não tem por onde seduzir.